Não é o Que Você Fala. É Como Você Fala!

O número de processos contra médicos aumenta de maneira surpreendente ano a ano no Brasil. Estudos no exterior indicam que processos não estão associados apenas a negligência e erros, mas também com a qualidade da comunicação entre médicos e pacientes. A qualidade do cuidado de saúde não é a única razão ou a razão primária referidas por pacientes para iniciar ações legais. A decisão de processar um médico parece basear-se numa combinação de queixas sobre sua competência técnica e aspectos interpessoais de comunicação.
Um estudo americano avaliou a influência do tom de voz adotado por cirurgiões em consultas de rotina e a ocorrência de processos legais. Foram incluídos no estudo transversal 23 cirurgiões gerais e 34 ortopedistas, que tiveram quatro trechos de 10 segundos de gravações de consultas avaliados por 12 alunos de graduação. Os sons foram processados para que permitissem apenas a análise do tom de voz, mas não do conteúdo.
Independente do conteúdo, tons de voz classificados como preocupados/ansiosos associaram-se com menor risco para queixas judiciais. Por outro lado, tons de voz classificados como arrogantes/autoritários cursaram com risco 2,74 vezes maior para antecedentes de processos legais.
Ainda que este seja um assunto complexo e existam inúmeros outros fatores envolvidos, é importante que os médicos tomem consciência que, na comunicação com os pacientes, o modo como falam é de importância igual ou mesmo superior ao conteúdo que procuram transmitir.

– Ambady N, et al. Surgeon’s tone of voice: a clue to malpractice history. Surgery, 2002;132:5-9.

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