Nódulo da Irmã Maria José.

Recentemente tomei conhecimento de um sinal clínico que desconhecia, o nódulo da irmã Maria José. Quando fiz uma busca no Pubmed sobre o tema, fiquei surpreso pois existiam 90 referências relacionadas. Na verdade, até este momento, há pelo menos 20 artigos publicados sobre o sinal apenas a partir de 2014.

O acometimento do umbigo por tumores é incomum e, quando acontece, pode ser tanto de natureza benigna como maligna. Assim, por exemplo, existem casos de endometriose umbilical que sangram periodicamente, apenas no período da menstruação.

Já a expressão Sister Mary Joseph Nodule é empregada para descrever um nódulo localizado na cicatriz umbilical, de natureza maligna e metastática, originado a partir da disseminação de tumores abdominais ou pélvicos. A lesão geralmente se apresenta como nódulo endurecido, frequentemente edemaciado e vascularizado, que também pode se mostrar ulcerado, sangrante ou, mesmo, necrosado e infectado. Geralmente exibe diâmetro menor do que cinco centimetros e é indolor. Raramente é de maior tamanho mostrando-se como uma protusão acentuada da pele.

Quase sempre o sinal traduz a presença de tumor em estado avançado, não operável, e de mau prognóstico. As causas mais comuns do sinal são tumores gastrointestinais e ginecológicos. Contudo, tais nódulos já foram descritos em casos de tumores metastáticos de mama e mesmo de pulmão.

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Nódulo da Irmã Maria José em caso de carcinoma de pâncreas

A disseminação de carcinomas metastáticos para a região umbilical tem sido atribuida ao acometimento por contiguidade do peritôneo, ou à disseminação hematogênica por vasos sanguíneos ou linfáticos, com extensão ao longo dos ligamentos umbilicais.

O sinal recebe esse nome, por ter sido inicialmente identificado pela irmã Maria José (1856-1939), que era uma assistente de cirurgias do médico William James Mayo, um dos fundadores da Mayo Clinic. Ela observou a existência de nódulo umbilical endurecido em um paciente sendo preparado para cirurgia em 1928. O autor Hamilton Bailey usou então o termo Sister Mary Joseph Nodule em seu livro Demonstrations of Physical Signs in Clinical Surgery (11th edition) publicado em 1949.

Portanto, a irmã Maria José não tinha a doença cujo sinal leva o seu nome!

 

Referências

Dar IH, Kamili MA, Dar SH, Kuchaai FA. Sister Mary Joseph nodule-A case report with review of literature. J Res Med Sci. 2009; 14:385-7.

Miller T, Ashworth J, Richards S. Sister Mary Joseph nodule. BMJ. 2015 Oct 15;351:h5224. doi: 10.1136/bmj.h5224.

 

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