Maior Conforto Para Evacuar.

O termo constipação intestinal denota dificuldades para evacuar. Sendo uma manifestação puramente subjetiva, pode ser empregado com uma série de significados, entre eles, fezes endurecidas, necessidade de força excessiva para expulsão, baixa frequência de evacuações, distensão abdominal, sensação de redução da movimentação intestinal ou de evacuação incompleta.

A queixa é muito comum, atingindo, nos Estados Unidos, 16% da população geral e 34% dos indivíduos com mais de 60 anos, associando-se com claros prejuízos da qualidade de vida. A queixa é motivo frequente de visitas aos médicos e estima-se que, nos Estados Unidos, gastem-se em torno de 821 milhões de dólares por ano, com a compra de agentes laxativos.

A constipação pode se classificada em primária e secundária, a maioria dos casos se enquadrando nesta última categoria. Diversas são as causas secundárias de constipação, desde problemas simples como dietas pobres em fibras, passando por efeito colateral de medicações, neuropatias, doenças endócrino-metabólicas e obstruções tumorais.

Contudo, fato que geralmente não é valorizado é que parte dos problemas relacionados com a constipação advém do desenho dos vasos sanitários modernos utilizados no Ocidente.

O médico iraniano Rad Saeed publicou, no ano de 2002, estudo comparando a anatomia e fisiologia da evacuação do modo como ela é efetuada no Iran e no Ocidente. Foram estudados 30 voluntários que realizaram enema opaco evacuando em vaso sanitário de estilo ocidental e, posteriormente, em outro, comum no Iran, no qual a peça fica ao nível do solo. A peça iraniana é aquela conhecida no Brasil como vaso sanitário do tipo turco, o qual atualmente raramente é encontrado.

O estudo mostrou que a adoção da posição de cócoras para evacuar é muito mais fisiológico do que aquele associado com os vasos sanitários usados no Ocidente. Como pode ser evidenciado na Figura 1, a adoção da primeira posição associa-se com um ângulo ano-retal muito mais favorável para a saída do bolo fecal, além de gerar maior distância entre o plano horizontal da pélvis e o assoalho do períneo. Essa conjunção de fatores facilita muito a evacuação.

Iran

Imagem original do estudo de Rad Saeed ilustrativa de ângulos durante a defecação em duas posições distintas

Baseando-se nesse artigo, inclusive, um empreendedor americano desenvolveu dispositivo que, acoplado ao vaso sanitário, promove a elevação e abertura das pernas, reproduzindo a posição de defecação iraniana. Esse dispositivo está indicado não apenas para pacientes com constipação, como também indivíduos com hemorroidas e fissura anal, mas seu preço no nosso país não é muito acessível.

Portanto, diante de pacientes com queixas de constipação, uma boa orientação inicial, muito simples e de grande utilidade, é:

  1. Arranje um suporte de altura aproximada de 20-30 cm que possa ser colocado encostado a frente do vaso sanitário. Exemplos de tais dispositivos são caixas de madeira ou pequenos banquinhos vendidos em supermercados.
  2. No momento da evacuação, coloque os dois pés no suporte, de tal modo que os joelhos fiquem claramente acima da altura da pélvis. Procure apoiar os pés nas porções mais laterais do suporte para facilitar o relaxamento anal.
  3. Deixe a natureza seguir o seu curso.

Esse tipo de procedimento facilita muito a evacuação e, inclusive, torna a higiene posterior mais fácil de ser realizada.

Pode acreditar. Experiência própria!

Referências

# Bove A, Pucciani F, Bellini M, et al. Consensus statement AIGO/SICCR: diagnosis and treatment of chronic constipation and obstructed defecation (part I: diagnosis). World J Gastroenterol. 2012;18:1555-64.

# Bove A, Pucciani F, Bellini M, et al. Consensus statement AIGO/SICCR: diagnosis and treatment of chronic constipation and obstructed defecation (part II: treatment). World J Gastroenterol. 2012;18: 4994-5013.

# Rao SS, Rattanakovit K, Patcharatrakul T. Diagnosis and management of chronic constipation in adults. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2016;13: 295-305.

# S Rad. Impact of ethnic habits on defecographic measurements. Arch Iranian Med 2002; 5: 115-17.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>